quinta-feira, 05 março

 

 

Enquanto o Brasil vive um momento de retomada de direitos dos trabalhadores trabalhistas, o Rio Grande do Sul enfrenta, segundo o deputado estadual Pepe Vargas (PT), um processo de desmonte do Estado. Diante desse contexto, o parlamentar destacou a importância de acompanhar e participar do processo eleitoral deste ano, para definir que projeto de Estado e de sociedade prevalecerá nos próximos anos.
A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira (25), durante a abertura da reunião do Conselho de Representação da Federação dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação do RS, quando Pepe analisou o cenário político e econômico nacional e estadual. O deputado destacou que, desde 2023, com o fim do governo de Jair Bolsonaro, os trabalhadores deixaram de acumular perdas. Segundo ele, a pauta agora é de avanço. “Se hoje discutimos a redução da jornada com o fim da escala 6×1, em outro cenário estaríamos lutando para não ampliar a jornada, como ocorre na Argentina”, comparou.


Pepe também apontou conquistas recentes no plano nacional, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a política de valorização do salário mínimo. O parlamentar observou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades no Congresso Nacional.
Cenário gaúcho é desafiador
Ao tratar da realidade no Rio Grande do Sul, Pepe Vargas enfatizou que o Estado atravessa um período prolongado de enfraquecimento institucional e de baixo crescimento econômico. Ele lembrou que, desde a redemocratização, as forças democráticas governaram o Estado por apenas 12 dos últimos 44 anos.
O parlamentar citou os governos de Alceu Collares, Olívio Dutra e Tarso Genro em que o PIB gaúcho superou o crescimento nacional. Porém, nas gestões de José Ivo Sartori e Eduardo Leite houve extinção de fundações públicas, privatizações e redução da capacidade técnica do Estado. Além disso, atualmente cerca de 60% dos professores da rede estadual são temporários.
Pepe também apontou a crise demográfica e a crise climática como fatores que agravam a situação. Na análise do deputado, o baixo crescimento econômico tem afastado a população jovem, resultando em envelhecimento populacional e falta de mão de obra. “Há algum tempo o Rio Grande do Sul cresce menos que Santa Catarina e Paraná pois temos vivido um longo período de baixo crescimento econômico”, constatou.
Já a intensificação de eventos climáticos extremos, com chuvas concentradas e estiagens prolongadas, impõe desafios adicionais à economia e à gestão pública. “Os estudos mostram que a nossa região vai ter cada vez mais chuvas concentradas em grande volume, intercaladas com períodos de estiagem e períodos de aumento dos ventos. Isso tudo afeta diretamente a nossa economia”, alertou.


Ele citou como exemplo a demora na reconstrução de ponte, destruída na enchente de 2023. Para o deputado, a lentidão revela a perda da capacidade técnica do Estado para elaborar e executar projetos. Também chamou atenção para o alto índice de supressão de vegetação nativa no Bioma Pampa, proporcionalmente superior ao de outros biomas brasileiros. “O Bioma Pampa tem um grau de supressão de vegetação nativa maior do que a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado proporcionalmente”. destacou.
Diante desse cenário, afirmou que o maior dissídio coletivo será o de outubro, quando será definido o futuro do país e do Estado.

 

Texto: Silvana Gonçalves 

Foto: Letícia Solano

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