O deputado estadual Pepe Vargas criticou a estratégia de captação de água adotada pela Corsan Aegea, empresa responsável pelos serviços de saneamento no Rio Grande do Sul, ao afirmar que a utilização de poços profundos compromete reservas subterrâneas que deveriam ser preservadas para situações emergenciais. Segundo ele, a opção tem sido priorizada por representar menor custo, em vez de investir na captação de águas superficiais e no tratamento adequado. A declaração foi feita durante a votação do Requerimento de Audiência Pública nº 3/2026, na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (24/02)
A proposta, apresentada pelo deputado Airton Lima, prevê a realização de um debate sobre a prestação de serviços de abastecimento de água e saneamento básico pela empresa Corsan Aegea, além dos impactos à saúde pública e à infraestrutura urbana.
Para Pepe Vargas, o modelo adotado não corresponde à eficiência prometida no processo de privatização. “A tão propalada eficiência usada para justificar a privatização não é o que a gente tem assistido. Há, inclusive, algo que eu julgo muito grave”, afirmou. O parlamentar também destacou que já foram realizados investimentos significativos no setor com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas que essas estruturas estariam sendo deixadas de lado. Ele defendeu que o tema seja amplamente debatido, considerando que o abastecimento de água e o saneamento são serviços essenciais e têm impacto direto na saúde da população.
Durante sua manifestação, Pepe sugeriu ainda que a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) seja convidada a participar da audiência pública. Segundo ele, cabe à agência fiscalizar as concessões de serviços públicos no Estado, incluindo o saneamento básico.
O requerimento foi aceito pela comissão, abrindo caminho para a realização da audiência pública, que deverá reunir representantes da empresa, órgãos reguladores e sociedade civil para discutir a qualidade dos serviços e os reflexos da concessão nos municípios gaúchos.
Texto: Silvana Gonçalves
Foto: Kelly Demo Christ

