O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Pepe Vargas, levou ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH), nesta quarta-feira (10/12), a reivindicação de entidades que atuam na preservação da memória e da verdade. O parlamentar solicitou agenda com as entidades responsáveis para discutir a transformação do prédio conhecido como Dopinho, em Porto Alegre, em um Centro de Memória.
O titular da Assessoria Especial em Defesa da Democracia, Memória e Verdade do MDH, Hamilton Pereira, manifestou disposição em receber oficialmente as entidades envolvidas na pauta. Segundo Pepe Vargas, a agenda abre caminho para que o movimento seja ouvido diretamente pelo Ministério. “Viemos trazer a reivindicação da criação do Centro de Memória no antigo prédio do Dopinho e acertamos que o Ministério irá receber o grupo que conduz essa luta. É um passo importante para retirar da invisibilidade a violência de Estado praticada na ditadura militar, que atingiu militantes políticos, seus familiares e toda a sociedade. Preservar esse espaço é fundamental para evitar o apagamento da história”, afirmou o presidente da Assembleia.
O Dopinho, um casarão localizado na rua Santo Antônio, na capital gaúcha, foi utilizado pelo antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) como local de prisão clandestina e tortura a partir de 1964.
Em outubro de 2025, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, presidida pela deputada Sofia Cavedon, realizou audiência pública para discutir o destino do imóvel. Na ocasião, representantes de diversas entidades defenderam sua transformação em Centro de Memória e levaram ao presidente o pedido de mediação junto ao MDH, uma vez que Pepe Vargas foi ministro da pasta. Eles explicaram que o prédio é de propriedade privada e está à venda. O espaço chegou a ser tombado na gestão do ex-prefeito José Fortunati, mas o processo não teve continuidade.
A mobilização é liderada pelo Instituto Sig-Psicanálise & Política e busca garantir que o local seja preservado como parte da história da luta pela democracia e contra as violações cometidas pelo regime militar.
Texto: Silvana Gonçalves – MTE 9.163
Foto: Lauro Alves

