O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Pepe Vargas, destacou, durante a abertura do Seminário de Formação intitulado “A Força da Economia Solidária no Cenário Local e Nacional”, a necessidade de aprimorar as políticas públicas voltadas à economia solidária. Para ele, o acesso ao crédito, a assistência técnica e o reconhecimento público das práticas sustentáveis são desafios centrais a serem enfrentados nos próximos anos. O evento, que ocorreu no auditório do CPERS sindicato, reuniu cerca de 300 pessoas na manhã desta segunda-feira (8/12) e contou com as presenças da presidente da UNISOL, Nelsa Nespolo, da deputada federal, Maria do Rosário (PT/RS), da professora do Instituto Federal de Viamão, Josiane Krebs e do presidente da CONAB, Edegar Pretto.

Pepe ressaltou que, apesar de iniciativas já existentes, como linhas específicas em bancos públicos e cooperativas de crédito, o volume de financiamento disponível ainda é insuficiente para atender às demandas dos empreendimentos solidários. Ele defendeu a criação de um sistema nacional de garantias e contragarantias de crédito, com diferentes níveis de cobertura, para assegurar que grupos de economia solidária tenham condições reais de acessar financiamentos. “Os instrumentos atuais são importantes, mas representam um volume ainda muito pequeno para nossas necessidades”, afirmou.
O parlamentar também destacou a importância de dar maior visibilidade ao setor. Segundo ele, enquanto grandes empresas passaram a adotar discursos de ESG (ambiental, social e governança), a economia solidária pratica esses princípios de forma genuína há muitos anos. “A economia solidária nasceu fazendo governança ambiental e social, mas muitas pessoas ainda não sabem disso. Esse precisa ser um diferencial reconhecido”, frisou.
Pepe reforçou ainda que a autogestão, característica fundamental dos empreendimentos solidários, exige capacitação permanente. Ele comparou a necessidade à lógica da extensão rural na agricultura familiar, defendendo que o mesmo modelo deve ser aplicado às iniciativas de economia solidária. “Empreendimentos pequenos têm dificuldade de resolver problemas de gestão. Precisamos de assistência técnica específica para fortalecer esses grupos e prepará-los para competir no mercado”, apontou.
Apesar dos desafios, o presidente da Assembleia celebrou os resultados expressivos do setor, que devem alcançar cerca de R$ 500 mil em comercialização apenas na 27 ª Feira Estadual de Economia Solidária que acontece no largo Glênio Peres, em Porto Alegre, desde o dia 01 e segue até o dia 13 de dezembro. Para ele, esse é um exemplo da força e da vitalidade da economia solidária no país.
“A economia solidária existe, é real e funciona. Está disputando uma visão de mundo e conquistando mentes e corações. Precisamos ampliar esse movimento para construir uma economia mais justa e solidária”, concluiu.
Texto: Silvana Gonçalves – MTE 9.163
Foto: Lauro Alves

