quinta-feira, 05 março

Por conta de uma manobra da base governista de Eduardo Leite, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura as frequentes falhas no serviço de fornecimento de energia elétrica no Rio Grande do Sul rejeitou, nesta quinta-feira (27/11), requerimento para prorrogar os trabalhos da comissão. Ao refutar a proposta do presidente do colegiado, Miguel Rossetto, a CPI vai deixar de examinar pelo menos 2,5 mil documentos. Como as agências reguladores vão divulgar os indicadores totais de desempenho de 2025 da CEEE Equatorial e RGE apenas no início de 2026, essas informações ficarão de fora da análise do relatório.

Líder da Bancada do PT/PCdoB na Assembleia, Rossetto alertou que a ausência dessas informações poderá comprometer os resultados do relatório. Ele reforçou que a CPI recebeu um número extenso de documentos, mas ainda faltam dados de 2025 em relação concessionárias e às agências reguladoras. Rossetto afirmou que a proposta de prorrogação da CPI por 60 dias visava justamente ter mais tempo para análise dos documentos que foram encaminhados ao colegiado.

“Lamento muito que a base governista do Eduardo Leite tenha impedido a continuidade dos trabalhos. São mais de 2,5 mil documentos que recebemos e ainda estamos recebendo para permitir uma investigação mais rigorosa sobre RGE e CEEE Equatorial. Essa proposta de prorrogação era exatamente para que nós pudéssemos analisar todos os documentos com rigor necessário e mais do que isso aguardarmos a avaliação da Aneel e da Agergs sobre o desempenho operacional dessas concessionárias do ano de 2025”, afirmou.

Para Rossetto, a base do governo Leite resiste a uma investigação mais rigorosa, o que pode deixar o “relatório capenga”. “Vamos aguardar o relator, que deverá entregar no dia 3, mas eu penso que desde já sim (pode ficar capenga), basicamente porque a avaliação do desempenho do ano de 2025 dessas companhias, serão informadas em janeiro pelas agências reguladoras, Aneel e a Agergs”, acrescentou. Sem a prorrogação, a CPI volta a se reunir no dia 8 de dezembro para apresentação do relatório.

O deputado Halley Lino também alertou sobre a importância de ampliar o prazo de trabalho da comissão. Ele citou os problemas enfrentados principalmente pela população da região Sul e reforçou que as concessionárias e as agências reguladoras vão apresentar relatório de desempenho operacional referente aos indicadores de 2025. “Temos um volume expressivo de documentos que chegaram à CPI”, destacou, ressaltando que alguns pontos vão demandar aprofundamento de análise pelos deputados.

Votaram a favor da prorrogação: Miguel Rossetto (PT), Laura Sito (PT), Halley Lino (PT) e Paparico Bacchi (PL). Votaram contra a prorrogação dos trabalhos da comissão os deputados Marcus Vinícius (PP), Issur Koch (PP), Prof. Bonatto (PSDB), Elton Weber (PSB), Luciano Silveira (MDB), Airton Artus (PDT) e Dr. Thiago Duarte (União Brasil).

Texto: Felipe Samuel
Foto: Nathan Oliveira

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