O deputado estadual Miguel Rossetto participou, nesta terça-feira (25/11), das audiências públicas promovidas pelo governo do Estado para discutir a concessão de rodovias do Bloco 1, que reúne estradas da Serra, Região Metropolitana e Litoral Norte. Com forte resistência da comunidade, as reuniões realizadas em Gravataí e Novo Hamburgo registraram críticas severas ao modelo proposto. Rossetto ressaltou que a Assembleia Legislativa ainda não iniciou o debate formal, mas reforçou que já existe, entre parlamentares de diferentes partidos, uma compreensão de que a modelagem apresentada pelo governo é ruim e prejudica o desenvolvimento regional.

Durante sua manifestação, Rossetto afirmou que o debate precisa considerar as experiências já em curso no Rio Grande do Sul. Ele lembrou que o Bloco 3, em execução há quatro anos, não entregou as obras e investimentos previstos, embora o pedágio tenha sido imediatamente instalado. Destacou ainda que o Bloco 2 recebeu fortes apontamentos técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que identificou taxas de retorno artificialmente elevadas e risco de transferência indevida de até R$ 1 bilhão às concessionárias ao longo do contrato.
Para Rossetto, o Bloco 1 “não tem sentido logístico, estratégico ou de desenvolvimento”, por reunir regiões sem conexões econômicas e impor pedágios caros entre municípios próximos. Segundo ele, são “muros que desintegram a região”. O deputado defendeu que o governo apresente alternativas de investimento, e não um pacote fechado, questionando por que não são apresentados, por exemplo, planos específicos para a RS-020. Ele lembrou que o Estado dispõe de R$ 1,5 bilhão do Funrigs, recursos públicos que poderiam financiar obras de infraestrutura sem comprometer a população com tarifas elevadas por 30 anos.
Rossetto informou ainda que já apresentou na Assembleia um projeto para sustar o processo acelerado de concessões e, nesta terça, protocolou requerimento para a realização de uma audiência pública da Comissão de Serviços Públicos dedicada ao Bloco 1. “Se viabilizado, este projeto impactará profundamente a mobilidade, a economia e o custo de vida de milhões de pessoas. O governo termina no ano que vem, mas quer deixar uma conta gigante para o povo pagar pelas próximas três décadas. Isso não é um presente de Natal”, concluiu.
Texto: Juliana Thomaz

