quinta-feira, 05 março

 

 

 

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul promoveu, na sexta-feira (31/10), em Hulha Negra, uma audiência pública para debater o tema “Insegurança Hídrica e a Realidade do Campo e da Cidade”. A atividade foi uma proposta do deputado estadual Adão Pretto Filho, a partir de solicitação do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), representado pelo prefeito de Hulha Negra, Fernando
Campani (PT).
O encontro reuniu lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, assentados da Reforma Agrária e moradores da região. Também participou o presidente da Comissão, deputado Zé Nunes (PT), que destacou a importância de o Parlamento gaúcho ouvir as comunidades que vivem há décadas sob o impacto da falta d’água. Durante a audiência, uma assentada da Reforma Agrária de Hulha Negra relatou que há famílias que, há mais de 30 anos, convivem com a escassez e chegam a passar sede em períodos de estiagem prolongada. O relato reforçou a urgência de políticas públicas permanentes de acesso à água potável e de incentivo à captação e ao armazenamento hídrico no meio rural.
Entre os encaminhamentos da audiência, ficou definida a criação de um grupo de trabalho com participação de prefeituras, movimentos sociais e órgãos estaduais e federais para apresentar um projeto prático de estrutura que combata a falta de água na região. Além disso, será levada ao governo federal uma proposta de inclusão, no novo PAC, de políticas específicas para territórios atingidos pela escassez hídrica, especialmente na região da Campanha.
Para o deputado Adão Pretto Filho, o problema da insegurança hídrica não pode mais ser tratado como sazonal ou emergencial. “É um tema estrutural. Precisamos pensar em soluções permanentes, que garantam água para as famílias, para a produção e para os animais. A Campanha e a região de Hulha Negra convivem há décadas com a estiagem, e o Estado precisa olhar com prioridade para essa realidade”, destacou o parlamentar. Adão ainda pretende levar o tema a Brasília, em busca de recursos emergenciais para solucionar a questão da escassez de água tanto para consumo quanto para irrigação no campo.
O prefeito Fernando Campani ressaltou que a falta de água é um obstáculo direto ao desenvolvimento local e à permanência das famílias no campo. “Estamos falando de um problema que afeta o cotidiano das pessoas, a produção e a dignidade. É fundamental que o governo federal olhe para essa região e que possamos, com
apoio da Assembleia e da bancada federal, construir alternativas concretas para garantir o
acesso à água”, afirmou Campani.

 

Texto: Guilherme Zanini

 

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