“Nós precisaríamos rever o gasto tributário e precisávamos ter uma política monetária com juros mais baixo. Aí a dívida pública cairia, o resultado primário da União seria melhor, a política fiscal teria fôlego para fazer coisas que o país precisa e o setor privado teria mais capacidade de investir para a economia crescer, se desenvolver, gerar ainda mais emprego e renda. Esse Banco Central é uma vergonha do jeito que trata a política monetária do nosso país”. A afirmação foi feita pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas, na sessão plenária desta quarta-feira (15/10).
Para o parlamentar, o governo Lula tem acertado na política econômica. Tanto é que o Brasil está com uma inflação acumulada neste ano de 2025 de 3,64%. Em 2024, a inflação acumulada foi de 4,83% e nos últimos 12 meses, de 5,17%. “Será menor no final do ano. Só que a meta da inflação é 3%, mais ou menos 1%. Então a meta é de 1,5% a 4,5%. Se nós pegarmos os últimos 20 anos ou do Plano Real para cá, tivemos, em geral, uma inflação que fica em torno de 6%, 5 % e pouco, 4%, alguma coisa. Então, eu pergunto, seria um desastre para o país uma meta de inflação de 4%, mais ou menos, 1,5%?”, indagou.
Para o deputado, a meta de 3%, que poderia ter sido revisada pelo governo, leva a essa condição do Banco Central, de uma forma “sabotadora” da economia nacional, ao fixar uma taxa Selic em 15%. “Essa taxa é uma coisa pornográfica”, afirmou parafraseando o empresário Antônio Ermírio de Moraes. “Nada justifica essa taxa Selic de 15%, nada. Isso dificulta o investimento interno, porque quem é que vai querer investir? Correr risco de fazer investimento produtivo, tendo uma taxa de juros dessa altura?”, ponderou.
A consequência, segundo o deputado, foi que o Brasil se tornou um país da especulação financeira em que o industrial, em vez de investir na empresa, vai aplicar no mercado e vai ganhar mais. “Isso está errado, tem que mudar. O grande problema do Banco Central, para Pepe, é que ficou igual às agências reguladoras, que são autônomas e independentes. “O Banco Central virou uma agência reguladora do sistema financeiro, igual à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no setor da energia, igual à ANTT), no setor de transportes e assim por diante. Ele virou uma agência reguladora do setor financeiro”, sentenciou.
Com esse tipo de gestão, o presidente do Banco Central faz uma política à parte da política macroeconômica do país, sem comprometimento com a política cambial, a política monetária e a política fiscal. “Isso está colocando a nossa economia numa situação difícil. É o que eleva a dívida pública”, apontou Pepe, acrescentando que o problema do país não está no gasto primário, mas no gasto tributário. “Alguns são justificáveis, pois ninguém vai dizer que tem que aumentar, por exemplo, a cesta básica, ninguém vai dizer que não pode haver uma política tributária que ajude a desenvolver um determinado setor, mas tem determinados incentivos fiscais que não têm razão nenhuma de existir, porque inclusive promovem concorrência desleal dentro deste mesmo setor econômico”, argumentou.
Texto: Claiton Stumpf – MTb 9747
Foto: Kelly Demo Christ

