A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, presidida pelo deputado Adão Pretto Filho, acolheu hoje (08/10) quatro oitivas de violações de direitos humanos, em especial a recente morte de jovem em surto psiquiátrico. A mãe do jovem, que presenciou a morte dentro de sua residência, pede justiça e acesso ao inquérito, uma vez que há distorções na versão dos brigadianos do 20º Batalhão de Polícia Militar. Adão Pretto Filho informou que a comissão vai encaminhar reunião com o Comando da BM e Corregedoria.
A primeira oitiva, solicitação da deputada Laura Sito, foi de Elvomara Vargas, mãe do jovem Eric da Silva Vargas, 29 anos, morto em setembro dentro de sua residência pela dupla de brigadianos chamados para conter o surto psiquiátrico. Ela relatou que o rapaz vinha cursando a universidade e tinha acompanhamento de equipe multidisciplinar, e que os policiais militares ingressaram na sua casa “usando a brutalidade, foram agressivos” e quando o jovem ficou agitado, usaram a arma de choque (teaser) e logo em um dos policiais disparou a arma de fogo.
Volmara manifestou surpresa com as versões dados pelos policiais, de que estariam feridos e que a chamada foi para violência policial, e não surto psiquiátrico. Disse, ainda, que Eric não recebeu socorro médico adequado e que os advogados não estão conseguindo acesso ao inquérito. O deputado Jeferson Fernandes observou que nesses casos, a BM abre inquérito policial militar e impõe sigilo. Ele referiu ainda que os policiais têm que receber preparo para atuarem nesses casos de saúde mental e, ainda, que se isso não ocorreu, há culpa da corporação pela morte.
Também a vereadora Natasha Ferreira, da Câmara de Porto Alegre, acompanha o caso e pediu urgência na oitiva pela CCDH do secretário de Segurança e da Corregedoria da BM. Ela mostrou publicação que informa sobre o despreparo dos policiais militares para essas situações, com o saldo de 40 pessoas em surto mortas entre 2024 e 2025.
Texto: Francis Maia
Foto: Nathan Oliveira

