O deputado Zé Nunes, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo, dedicou o Grande Expediente da sessão plenária desta terça-feira (07/10) à Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do Rio Grande do Sul (FETAR-RS), em reconhecimento à sua trajetória de lutas e conquistas em defesa dos direitos de milhares de homens e mulheres que vivem do trabalho no campo. Pela manhã, a Assembleia Legislativa realizou a entrega da Medalha da 56ª Legislatura à FETAR-RS, em cerimônia que reuniu lideranças sindicais, representantes de entidades e autoridades.
O parlamentar destacou a relevância histórica da organização dos assalariados rurais e o papel central da FETAR-RS na construção de um campo mais justo e democrático. “Mais do que uma homenagem, este é um reconhecimento à resistência e à contribuição de quem sustenta a produção agrícola do nosso estado. Celebrar a FETAR é celebrar a cidadania e a democracia no campo”, afirmou.
Zé Nunes fez uma retrospectiva da trajetória dos trabalhadores rurais no Brasil, lembrando que a transição do trabalho escravizado para o trabalho assalariado foi lenta e marcada por desigualdades. Ele enfatizou que os direitos trabalhistas só chegaram ao campo décadas depois da criação da CLT, graças à mobilização de sindicatos e lideranças rurais.
O deputado também mencionou os avanços conquistados no Rio Grande do Sul, como a primeira Convenção Coletiva dos Assalariados Rurais, firmada em 1985, e a fundação da FETAR-RS, em 2015, que consolidou décadas de organização e lutas. “A FETAR é fruto de uma caminhada coletiva, feita por homens e mulheres que decidiram transformar a realidade com coragem e união”, ressaltou.
Segundo Zé Nunes, o reconhecimento da data de 27 de novembro como o Dia do Assalariado Rural — instituída pela Lei nº 15.950/2023, de sua autoria — representa um marco simbólico dessa trajetória. “Essa data celebra a dignidade do trabalho e reafirma o compromisso com a formalização, com salários justos e condições dignas de vida”, explicou.
O parlamentar lembrou que a agropecuária representa cerca de 40% do PIB gaúcho e emprega centenas de milhares de pessoas, muitas delas assalariadas. No entanto, ainda há desafios expressivos: a informalidade atinge cerca de 45% dos trabalhadores rurais no estado, especialmente entre os safristas e temporários. “Sem os assalariados rurais, o Rio Grande do Sul não seria o mesmo motor econômico do Brasil”, destacou.
Zé Nunes também ressaltou o papel da FETAR-RS no combate ao trabalho análogo à escravidão e na defesa de políticas públicas que assegurem proteção social aos trabalhadores do campo. “A FETAR tem sido uma trincheira contra a precarização das relações de trabalho e um exemplo de resistência democrática”, afirmou.
O deputado encerrou o discurso com uma saudação ao presidente da Federação, João Cézar Brandt Larrosa, e às lideranças sindicais que atuam em todas as regiões do estado. A mesa do Grande Expediente foi composta pelo presidente da FETAR-RS, João Cézar Brandt Larrosa; pelo prefeito de Arroio Grande, Neto Pereira; pelo presidente da CONTAR e diretor da FETAR-RS, Gabriel Bezerra Santos; pelo 1º secretário, Olibio Estevão Nunes de Freitas; pelo tesoureiro, Denilson de Aguiar Rodrigues; pela coordenadora de mulheres da FETAR-RS, Maria Felícia da Luz Castro; pelo superintendente regional do Trabalho no Rio Grande do Sul, Claudir Antonio Nespolo; e pelo superintendente federal do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Sul, Milton Luiz Bernardes Ferreira. “Cada direito conquistado no campo é uma vitória da cidadania. Cada carteira assinada é uma família com mais dignidade. Celebrar a FETAR é reafirmar que não há desenvolvimento econômico sem justiça social”, concluiu.

