quinta-feira, 05 março

A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia encaminhará ofício à Secretaria Estadual de Educação e Cultura (Seduc) requerendo a implantação de turno integral na Escola Estadual Maurício Cardoso, em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste. Este foi o principal encaminhamento proposto após o período de “Assuntos Gerais” da reunião ordinária da Comissão, realizada nesta terça-feira (30/09). A diretora da escola, Marta Nívea Pontes, e a vice, Carla Bopp, solicitaram o apoio do Legislativo.

A participação da direção se deu a convite do deputado Jeferson Fernandes, que conheceu a Escola durante roteiro naquele município; e o encaminhamento, também de autoria do parlamentar, foi encampado pela deputada Sofia Cavedon (PT) e pela presidente do colegiado, Patrícia Alba (PMDB). Jeferson contou que, ao visitar a Escola Maurício Cardoso, observou que havia infraestrutura ampla para a implementação do turno integral, “apesar de carecer de pequenas reformas nos banheiros, e da ausência de quadra poliesportiva”.

“A direção faz um esforço para manter a escola num bom nível. Os alunos a todo momento vêm cumprimentar os professores. O amor ao ofício de ensinar faz com que, mesmo com várias deficiências, a direção faça dessa Escola um bom lugar para os alunos”, avaliou. Ele demonstrou preocupação com o fato de a Coordenadoria Regional de Educação local ter eliminado um turno de aulas. “Não podemos deixar fechar a escola. A comunidade escolar seria muito impactada porque há muita vulnerabilidade social”, frisou.

A diretora da Escola Estadual Maurício Cardoso, Marta Nívea Pontes, lembrou que a instituição já tem 83 anos e atende a alunos carentes da comunidade, que já foram afetados pela redução a um único turno de aulas. “O turno integral seria um somatório de ajudas para essas crianças: além de uma aprendizagem melhor, teriam também uma alimentação escolar mais completa”, acrescentou.

A diretora da Escola Estadual Maurício Cardoso, Marta Nívea Pontes, e a vice-diretora, Carla Bopp, participaram da reunião da comissão

Vice-diretora da instituição, Carla Bopp reiterou o compromisso da Escola com uma comunidade vulnerável social e economicamente. “Tínhamos oficinas variadas voltadas a alunos, pais, mães e toda a comunidade dos arredores. Mas, em 2019, veio a comunicação de que estava fechado o turno da manhã, e tivemos de aglutinar 11 turmas no turno da tarde. Resultado é que não temos mais biblioteca porque foi fechada para fazer sala de aula e nem sala de atendimento para as nossas crianças, que são 80% incluídas”, detalhou.

Ela reforçou que a integralidade permitirá um propósito de oferta de aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. “Todos os anos vamos à CRE e mandamos ofícios à Seduc pedindo o turno integral, mas não conseguimos nada. Outras escolas que não lidam com crianças vulneráveis já conseguiram”, argumentou Carla. A vice-diretora disse que a escola perdeu alunos com o fechamento do turno da manhã e luta para manter a qualidade. “Muito do trabalho que poderíamos fazer em dois turnos não está acontecendo. Todas as atividades que queremos fazer para ampliar o aprendizado ficam restritas a um único turno”, reforçou.

Por fim, Jeferson citou um paradoxo que observou durante visitas ao município de Santana do Livramento. “A gente vê a escola sendo esvaziada e a penitenciária local com superlotação. Quando a escola não se mostra como referência para as crianças e jovens, o crime organizado ocupa essa lacuna. Se os recursos direcionados ao sistema prisional fossem investidos na prevenção escolar não estaríamos nessa situação”, concluiu.

Texto: Andréa Farias
Foto: Greice Nichele

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