quinta-feira, 05 março

A situação de precarização da saúde pública em Canoas, na Região Metropolitana, cujo mais recente capítulo é o movimento paredista dos médicos que trabalham no Hospital Universitário (HU), vinculado à ULBRA, e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) municipais, será o tema da audiência pública aprovada nesta quarta-feira (24) pela Comissão de Saúde e de Meio Ambiente (CSMA) da Assembleia Legislativa. A proposta foi apresentada pelos deputados Valdeci Oliveira e Thiago Duarte.

“Na prática, a privatização da saúde pública, no que diz respeito à sua gestão, está se mostrando maléfica para as principais partes – profissionais que nela trabalham e população que precisa ser atendida. E não se trata de uma exclusividade de Canoas, apesar do município estar vivendo a agudização da situação”, avalia Valdeci. Em Canoas, município referência para mais de uma centena de municípios do Estado, a greve, segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), é por conta de débitos do HU com os profissionais, demissões em massa e recontratação na modalidade ‘prestador de serviço’ de forma exclusiva e obrigatória, falta de condições de trabalho e de equipamentos, atrasos salariais, entre outros.

Ainda segundo a entidade, nas UPAs a situação se repete, com sobrecarga de trabalho e subdimensionamento da demanda, além da ‘quarteirização’, onde o município terceiriza a gestão a uma entidade e esta subcontrata empresas que, por sua vez, fazem o mesmo com os médicos. Para a audiência, a ser realizada nas dependências da Assembleia Legislativa, em formato híbrido e com data a ser definida, estão sendo convidados representantes das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, da Associação Saúde em Movimento (gestora das UPAs), do Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde – gestora do HU), dos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde, da Câmara de Vereadores de Canoas, do Ministério Público e de entidades como o Simers, Coren/RS, Cofen, Cremers, Amrigs, Cosems, Federação dos Hospitais Privados e Filantrópicos, Uvergs e Famurs.

Texto: Tiago Machado (MTE 9.415) e Marcelo Antunes (MTE 8.511)
Foto: Greice Nichele

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