As obras de reconstrução da ponte sobre o Arroio Grande (Santa Maria), derrubada há 16 meses pelas fortes chuvas do ano passado, deverão ter seu início efetivo no final deste mês de setembro. A previsão dos trabalhos foi dada nesta terça-feira (16), durante a reunião do Comitê Permanente de Acompanhamento das Obras de Duplicação e Manutenção da RSC-287 na Assembleia Legislativa, que reuniu parlamentares, membros da Comissão de Assuntos Municipais (CAM), representantes do governo do Estado, da empresa concessionária, prefeituras, vereadores e comunidades envolvidas ao longo dos 204 km da via. Questionado pelo deputado estadual Valdeci Oliveira, coordenador do Comitê de Acompanhamento, o representante da empresa Sacyr (multinacional espanhola que detém a concessão da rodovia), César Cruvinel, afirmou que até o final do mês deverão iniciar os procedimentos da fundação da futura estrutura sobre o Arroio Grande, que estão sendo precedidos por trabalhos de marcação topográfica, limpeza do terreno com supressão da vegetação e tratamento de interferências. O projeto inclui, ainda, duplicação de 800 metros de pista nas chamadas ‘cabeceiras’. A primeira parte das obras, que permitirá, num primeiro momento, erguer parte da nova estrutura para garantir o tráfego na região, retirar os destroços que ainda estão sob as águas e iniciar o desmonte das estruturas provisórias instaladas desde maio de 2024 pelo exército brasileiro, deverá durar aproximadamente seis meses. “Não estamos comemorando ainda, apesar do governador (Leite) ter ido a Santa Maria no dia 1º de setembro e ter feito o anúncio de começo das obras. O anúncio não saiu tão bem, porque as máquinas não começaram a operar ainda no local”, afirmou Valdeci no começo da reunião.

Ainda segundo o representante da empresa espanhola, a parte de Candelária está com o projeto executivo protocolado na Secretaria da Reconstrução Gaúcha (SERG), e até o final de setembro devem fazer o mesmo com o de Mariante, que precisou sofrer algumas alterações, como seu dimensionamento, para que em futuras chuvas a água não ultrapassasse a pista. Ambas são consideradas obras de ‘grande vulto’. Projetos que abrangem Venâncio Aires, o trecho rural de Santa Cruz e a parte de Vera Cruz também deverão ser apresentados nos próximos dias.
DUPLICAÇÃO – Sobre obras de duplicação, ao ser questionado por Valdeci sobre a possibilidade de antecipação dos trabalhos em outros trechos, Cruvinel destacou que o cronograma segue o que está previsto no contrato assinado há quatro anos, ou seja, atualmente com obras sendo tocadas somente a partir de Tabaí e de Santa Cruz do Sul, mas que com a catástrofe das chuvas houve necessidade de mudança na ordem de alguns pontos, priorizando trechos emergenciais. De qualquer forma, alterações substanciais, como abrir uma nova frente de trabalho a partir de Santa Maria, reivindicação de toda a Região Central do estado, precisa ser pactuado com o governo gaúcho e com a própria empresa, mas que ainda não há uma sinalização clara em relação a isso neste momento. “É natural que possa acontecer, pois o tráfego (quantidade) vem mudando, aumentando, principalmente por conta da Quarta Colônia nos finais de semana. E a tendência é que aumente mais”, explicou. O contrato da duplicação prevê um ‘gatilho de tráfego’ que, em sendo atingido, a duplicação é automaticamente acionada. Contratualmente, essa avaliação será novamente realizada em 2026.
Também foram tratados e esclarecidos pontos como previsão e revisão de prazos e apresentação antecipada de projetos envolvendo, principalmente, os trechos urbanos para que haja uma avaliação prévia das comunidades envolvidas.
Ao final do encontro, ao agradecer a presença de diferentes administrações municipais na reunião, Valdeci, proponente da criação daquele Comitê, lembrou que em nenhum dos encontros até aqui realizados a prefeitura de Santa Maria, maior interessada no tema, não tenha se feito presente. “Lamento que a minha cidade, a principal da Região Central, com cerca de 300 mil habitantes e usuários constantes da rodovia, nunca mandou um representante, mesmo sendo sempre convidada. Mas apesar das dificuldades, seja do ponto de vista político ou contratual, quero afirmar aqui que nós vamos lutar muito para que (a duplicação em) Santa Maria não fique lá para frente. A principal e maior cidade de ‘cobertura’ da 287 ficou em segundo plano e precisamos trabalhar isso. E como o secretário da SERG se mostrou aberto ao diálogo, é o que vamos fazer no próximo período, assim como vimos fazendo desde o início desse processo”, assegurou Valdeci.
PRESENÇAS – Também participaram da reunião prefeitos e vereadores de Agudo, Bom Retiro do Sul, Novo Cabrais, Venâncio Aires, Paraíso do Sul, Tabaí e Vera Cruz, além de representantes do Conselho de Usuários, Agergs e Secretaria da Reconstrução Gaúcha. O próximo encontro do Comitê está agendado para o dia 18/11. “O importante é continuarmos com esse espaço de debate, continuando a investir na construção de avaliações conjuntas. O diálogo entre as partes melhorou muito desde que iniciamos esse papo reto'”, avaliou Valdeci no encerramento dos trabalhos.

