O 8º seminário no interior do Fórum Democrático da Assembleia Legislativa do RS (ALRS) chegou, nesta segunda-feira (8), das 8h30 às 12h, a Lajeado para debater com as comunidades das regiões do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo os diferentes aspectos do crescimento sustentável na região. O encontro reuniu, no auditório do Prédio 7 da Univates, autoridades políticas e empresariais, especialistas e pesquisadores, além de lideranças sindicais e movimentos populares.
A reitora da Univates, Evânia Schneider saudou o público, assim como, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Agricultura, Jairo Valandro; a presidente da Câmara de Vereadores, Ana Rita Azambuja Silva; a presidente do Corede Vale do Taquari, Cíntia Agostini; e o presidente do Corede do Vale do Rio Pardo, Heitor Álvaro Petry. A Orquestra Gustavo Adolfo da Univates realizou a abertura cultural e a mediação dos debates ficou com a jornalista Giane Guerra.
A partir do lema de sua gestão à frente do parlamento gaúcho “Pacto RS 25 – O crescimento sustentável é agora”, o presidente da AL, deputado Pepe Vargas (PT), salientou que a região foi severamente atingida pelas enchentes de 2023 e 2024, apresentando ainda obras de infraestrutura em andamento, em especial, nas estradas. Pepe observou que, além de adaptação, são necessárias medidas de mitigação de tragédias. “É fundamental um diagnóstico preciso das bacias hidrográficas. Isso porque as águas do planalto descem e chegam aos vales de forma avassaladora. Estudos apontam a compactação dos solos na Serra, o que leva à impermeabilização da terra e favorece as enchentes. Precisamos de programas de descompactação e de recuperação das matas ciliares”, assinalou.
O presidente lembrou de pesquisa da Univates que aponta a invasão de vegetação exótica que, com pouco enraizamento, facilita o avanço das enxurradas. Segundo Pepe, a sociedade precisa colocar em prática as soluções apontadas pela ciência e as pesquisas. “Se fizermos um programa de manejo do solo adequado, vai aumentar a rentabilidade da agricultura. A transição energética eficiente também traz novas oportunidades de negócios, de empregos, de geração de trabalho e renda, como a geração fotovoltaica. Se acrescentarmos o biogás é mais um debate. Nosso objetivo com o Fórum é fomentar a discussão de soluções necessárias para que se tenha um crescimento mais vigoroso e com sustentabilidade”, argumentou.
O público também conheceu o funcionamento e os conteúdos da Plataforma Digital de Participação Popular Pacto RS 25 em apresentação realizada pelo coordenador do Fórum Democrático, Ronaldo Zulke, e pelo assessor técnico, Tarson Nuñez, que explicou o passo a passo do processo e convidou a população a participar tanto sugerindo quanto apoiando propostas para todas as regiões gaúchas. Basta acessar @pactors25.gov.
As conferências se iniciaram com o painel “Transição Ecológica e um novo Pacto Produtivo” do professor da Unisc, Markus Erwin Brose. Ele destacou que são caraterísticas peculiares do RS as estruturas coletivas da agricultura familiar como método de organização e as universidades comunitárias, como forma de construir conhecimentos. “Para adaptarmos o capitalismo à sustentabilidade precisamos democratizar a educação e isso já é realidade nas universidades comunitárias do Vale do Taquari. Também há necessidade urgente do manejo sustentável da água. Vale lembrar que a inovação surge dentro de uma sociedade que aceita as novidades e essa é uma característica da região”, acentuou.
A apresentação do professor da Univates, Odorico Konrad, ressaltou o laboratório móvel de escala real, montado em um veículo Kombi, para a produção de biogás. Detalhou o conceito de transição ecológica, lembrando que as mudanças dos sistemas produtivos são essenciais para reduzir impactos e aumentar a resiliência das localidades. Lembrou as palavras-chave da sustentabilidade como energia limpa, economia circular, biodiversidade e inovação e salientou que a região é essencialmente baseada na agricultura familiar. “Não podemos esquecer da integração entre produção, inovação tecnológica, agroindústria e a pegada de Carbono. Possuímos um ambiente associativo o que favorece muito às mudanças e à resiliência. As nossas regiões têm potencial para salvar o planeta e ampliar a qualidade de vida da nossa população. Não podemos esquecer que o sol brilha para os vales”, argumentou.
Na sequência, o diretor da Fiergs e presidente da Dália Alimentos, Gilberto Piccini, e o presidente do Sindicato dos Comerciários de Lajeado, Marco Daniel Rockenbach, trataram sobre “Crescimento Sustentável e a Reinvenção do Trabalho”. Piccini trouxe, dentro das consequências dos impactos ambientais, o apagão da mão de obra no mercado. Apontou que cerca de 75% dos empregadores encontram dificuldades para preencher cargos. A escassez de talentos também se dá porque 38,5% estão na informalidade, que apresenta aumento no salário médio. A queda de 25% de jovens no emprego formal da indústria, o envelhecimento da população e a evasão da população para outros estados “cerca de 700 mil gaúchos deixaram o RS entre 2000 e 2022) alteraram o quadro da empregabilidade.
Rockenbach lembrou que algumas cidades da região precisaram ser reconstruídas, caso de Muçum e Roca Sales, por exemplo. Mencionou a importância do planejamento sustentável para a aplicação adequada dos recursos dos fundos, citando a discussão em torno do local para a construção de nova ponte da BR-386 na localidade. Disse também que a concentração de renda no Vale do Taquari é maior que a média no Estado. “Quando falamos de salário dos trabalhadores, a média é menor. Nossa média salarial não acompanha o crescimento da região, ou seja, os recursos não são repassados aos trabalhadores. A remuneração é muito baixa e a concentração muito alta, o que gera alta rotatividade no mercado”, assinalou.
O sindicalista ressaltou que o sistema de empregabilidade precisa se adaptar às novas gerações. De acordo com ele, as condições de trabalho atuais são tão ruins que remontam à Era Medieval. “ Não falta mão de obra, mas os trabalhadores querem mais qualidade de vida para não adoecer e, por isso, buscam novas alternativas de emprego e remuneração”, enfatizou.
Após os seminários, a plateia participou da plenária sobre as demandas para a região.
Texto: Sheyla Scardoelli – MTE 6727 (Com informações da assessoria do Fórum Democrático).
Foto: Lauro Alves/Agência ALRS

