quinta-feira, 05 março

O 3º Grande Debate do Fórum Democrático da Assembleia Legislativa 2025 lotou, nesta quarta-feira (03/09), o auditório da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Participaram do encontro representações dos segmentos agropecuários no Rio Grande do Sul, do governo governo federal e especialistas e parlamentares para discutir o tema Mudanças Climáticas e Sustentabilidade: o Futuro da Agricultura e da Pecuária no Rio Grande do Sul.

Pelo painel “Pacto RS 25: O crescimento sustentável é agora”, o presidente da ALRS, deputado Pepe Vargas (PT), assinalou a necessidade da retomada do crescimento do RS, ponderando que é urgente considerar as questões relacionadas à sustentabilidade. “Nosso Estado vem perdendo participação econômica relativa tanto no cenário nacional quanto na Região Sul. Ao final do processo do Fórum, iremos sistematizar as diretrizes que irão compor o documento a ser entregue às representações governamentais”, observou.

ESTEIO – RS – BRASIL – 03/09/2025: Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional da AL. O 3º Grande Debate tem o tema Mudanças Climáticas e Sustentabilidade: o Futuro da Agricultura e da Pecuária no Rio Grande do Sul. Auditório Central da SEAPI na Expointer 2025. Foto: Raul Pereira / ALRS

Enfrentar a crise climática depende, segundo o presidente do Legislativo gaúcho, de uma construção coletiva que envolva todos os atores da sociedade, de forma a avançar na direção de uma produção agropecuária justa. Na sequência, o coordenador do Fórum, Ronaldo Zulke, e a assessora do Fórum, Fernanda Corezola, apresentaram a Plataforma Digital de Participação Popular Pacto RS 25, suas funcionalidades e conteúdos.

Com mediação da jornalista Rosane de Oliveira, o seminário Mudanças Climáticas e Sustentabilidade: o Futuro da Agricultura e da Pecuária no Rio Grande do Sul foi dividido em três blocos. A primeira apresentação teve o enfoque “As atuais condições de manejo dos solos agrícolas e as enchentes no RS”, com Jean Minella, professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Minella trouxe aspectos relacionados aos problemas sobre escoamento superficial e manejos de solo e de plantas e mostrou estudos de casos realizados no interior do estado.

“O relevo do RS de coxilhas favorece ao escoamento de água em excesso e à perda de nutrientes no sedimento erodido. Assim, se forma a agricultura do desperdício. Por isso, é preciso conter o escoamento para se ter maior produtividade”, ressaltou. Ele relatou ainda o resumo da dinâmica da relação de manejo com a disponibilidade hídrica. Para o professor, as práticas conservacionistas podem ser produtivistas. “Eficiência também significa controlar o escoamento”, resumiu.

O bloco dois abordou Operação 365 – Programa de melhoria da qualidade biológica, física e química do solo, com condução do chefe-geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski. Ele começou questionando “Para onde podemos ir e como chegar lá?” em relação ao manejo de raízes e enfrentamento de estiagens. As respostas, para o professor, passam pela redução das desordens físicas e químicas para restabelecer os fluxos de água. “É preciso acertar a calagem do plantio, o ph, para adequar a regulação química. Temos de cuidar dos produtos utilizados, pois o solo é um ser vivo. Sem raízes, não rodam fluxos de água ideais.”, salientou.

ESTEIO – RS – BRASIL – 03/09/2025: Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional da AL. O 3º Grande Debate tem o tema Mudanças Climáticas e Sustentabilidade: o Futuro da Agricultura e da Pecuária no Rio Grande do Sul. Auditório Central da SEAPI na Expointer 2025. Foto: Lauro Alves / ALRS

No terceiro bloco, os comentaristas Caio Vianna, da Rede Técnica das Cooperativas, e Claudinei Baldissera, diretor técnico da Emater-RS, destacaram que as conferências do evento demonstraram as possibilidades de aumento de produtividade, por meio de gestões assertivas e preocupadas com a preservação ambiental. “Podemos ter políticas públicas de incentivo, mas é preciso aplicar os resultados dos estudos técnicos por meio do compartilhamento de informações. E temos de lembrar que a água é o nosso melhor insumo” , sublinhou Vianna.

Já Baldissera mencionou que a Emater dedica-se a discutir metodologias e técnicas de plantios e manejos. E, segundo ele, uma das preocupações da entidade está ligada ao escoamento superficial da água e a erosão dos solos, eventos que já acontecem no RS, mesmo sem calamidades. “Nesse cenário, é preciso destacar a importância das ações dos Comitês de Bacias Hidrológicas”, destacou.

No segmento final, a plateia teve a oportunidade de se manifestar sobre as conferências e abordar propostas de ações para a agropecuária. O músico Antônio Gringo fez a abertura cultural da atividade. Participaram o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Milton Bernardes, o engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Jairo Carbonari, os deputados Zé Nunes (PT), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da AL, Miguel Rossetto (PT), Professor Bonatto(PSDB), Elton Weber (PSB) e Jeferson Fernandes (PT).

*Com informações de Erenice de Oliveira, da assessoria do Fórum Democrático

Texto: Sheyla Scardoelli (MTE 6727)
Fotos: Raul Pereira/ALRS

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