quinta-feira, 05 março

 

Muita gente sonha com uma festa de formatura como forma de coroar uma conquista e a realização de um sonho. Para o formando do curso de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rafael Francisco de Melo, no entanto, esse momento especial se transformou em um pesadelo. Conforme o estudante, que é praticante de religião de matriz africana e pai de santo, ele teria sido vítima de intolerância religiosa no ambiente acadêmico que será questionado pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

O presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, deputado Adão Pretto Filho, prestou solidariedade e disse que o colegiado já havia encaminhado requerimento para a Ufrgs em 22 de novembro de 2024, mas até agora não recebeu uma resposta, portanto vão encaminhar novamente o pedido de informações. “Se não tivermos um retorno em 15 dias, vamos para uma instância superior até o Ministério Público”, garantiu.

De acordo com Rafael Francisco Melo, ele teria solicitado a quebra de protocolo na formatura para utilizar uma toga branca em sinal de respeito à sua ancestralidade. O pedido teria sido aceito pela coordenação de curso, mas, a poucos dias da colação de grau, uma colega do curso teria enviado mensagens no grupo da comissão de formatura solicitando para sair do grupo e desistir da cerimônia. “Nas mensagens ela dizia que eu estava transformando a solenidade em um grande circo com a minha vestimenta. Em uma das mensagens ela chama de asqueroso e que não duvidava que fossemos tocar pontos de umbanda durante a formatura”, relatou.

Solidários com o estudante e contrários ao ato preconceituoso, colegas formaram uma comissão para verificar a situação. Registraram ocorrência na Delegacia de Intolerância Religiosa e denunciaram na ouvidoria da Ufrgs. “Ficamos surpresos que não tivemos nenhum encaminhamento. Argumentaram que além do meu caso, há muitos outros”, disse Melo, argumentando que seu caso não pode ser escondido, pois deve servir de exemplo para que não ocorra mais. “A Universidade não pode ter portas fechadas e nós temos que ter segurança dentro do Campus”.

 

Texto: Claiton Stumpf – MTb 9747 

Foto: Kelly Demo Crhist

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