“O Brasil é uma Nação soberana com todos os seus desafios, dificuldades e conquistas e assim haveremos de superar mais essa dificuldade. Vamos sair fortes deste processo e aqui estamos vendo quem de fato é patriota, quem defende o Brasil e quem neste momento está apunhalando o nosso Brasil e o nosso povo pelas costas, unindo-se aos adversários do desenvolvimento do Brasil”. A afirmação foi feita pelo deputado Zé Nunes na Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, na manhã desta quarta-feira (06/08), apresentando a posição da bancada do PT em relação ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump sobre as exportações de produtos brasileiros que entra em vigor nesta mesmo dia.
Para o parlamentar, o impacto será muito menor do que parece porque muitos dos produtos, mesmo que taxados a 50%, ainda encontrarão novos mercados, além de continuar negociando com as empresas americanas. “Acho que primeiro é preciso manifestar o comportamento desequilibrado, extemporâneo e fora da curva histórica do governo Trump, que é agressivo, que desestabiliza o mundo inteiro com suas medidas, desrespeitando e desconsiderando a organização histórica dos países sobre as suas regras comerciais”.
De acordo com Zé Nunes os EUA estão prestes a serem ultrapassados e não serão mais a maior economia do mundo. Enquanto fazem tarifaços e criam desarmonia mundial, promovendo guerras, outros países como a China, constroem indústrias e promovem investimentos nos países e isso está dando resultado. Hoje, os EUA aumenta o endividamento público e a dívida pública é 120% do seu PIB. “Óbvio que é difícil comparar com o Brasil, mas o que a extrema-direita fala tanto da dívida pública que no governo Bolsonaro terminou com 73% do PIB, hoje está em 63%. Nesta semana o desemprego nos Estados Unidos aumentou e o presidente Trump demitiu a coordenadora da pesquisa porque ele não concorda com os números. Este é o grau de democracia nos Estados Unidos”, ponderou.
Para o parlamentar, estes são sinais de decadência da economia norte-americana, por isso essa retaliação sobre o mundo inteiro. “Esta medida sem nenhuma racionalidade nas regras internacionais de comércio busca intervir na soberania dos países assim como está ameaçando aqui no Brasil, mas nós temos um país soberano. Ele não tem essa força. Não dependemos tanto assim dos Estados Unidos. Hoje exportamos menos de 12% de tudo que exportamos para os Estados Unidos. É um grande parceiro comercial, mas não tem mais a mesma importância que tinha em 2003 quando o Brasil exortava ¼ do seu total de exportações para os EUA e isso é resultado do trabalho do governo Lula em buscar outros mercados”, concluiu.
A conduta do governo federal também foi destacada pelo deputado Halley Lino. O parlamentar lembrou que diziam que Lula quebraria patentes e usaria a lei da reciprocidade, mas adotou uma conduta exemplar, designando o vice-presidente Geraldo Alckmin para que iniciasse uma negociação com a Câmara de Comércio Norte-Americana, que resultou na redução do número de produtos atingidos pela taxação. Afirmou também que o ministro Haddad lançará programa de enfrentamento desta crise, com linhas de financiamento, com incentivo fiscal, com auxílio a trabalhadores e trabalhadoras. “Se compararmos os episódios de tarifaços de Donald Trump e as suas relações com outros países, o único que tem uma força política auxiliando os Estados Unidos para fomentar esta tarifa é a extrema-direita, liderada pela família Bolsonaro. Pega o exemplo do Canadá, todo país se uniu contra o tarifaço. O México também posicionou-se contra isso. E aqui no Brasil, um grupo político vai às ruas agradecer Trump. Não pode ser normal isso”.
Texto: Claiton Stumpf – Mtb 9747
Foto: Vanessa Vargas

