Com foco em ações de combate à violência extrema em escolas, a Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, presidida pelo deputado Leonel Radde, realizou nesta sexta-feira (1º/08), na Assembleia Legislativa, audiência pública Sin@is: Precisamos falar de violência extrema. O projeto do Grupo de Combate a Ataques a Escolas do MPRS visa prevenir e combater a violência extrema, especialmente ataques a escolas, através do reconhecimento de sinais de radicalização em jovens.
Ao ressaltar o trabalho realizado pelo Ministério Público Estadual e pelo projeto Sin@is, o deputado Leonel Radde destacou o número de municípios contemplados com iniciativas de diálogo e conscientização: 186. “É um número considerável para um estado que tem 497 municípios”, frisou. “Não é fácil, o Estado é grande, a gente sabe disso, mas é importante que a gente tenha essa iniciativa junto às escolas, junto às famílias, e que cada vez mais as pessoas conheçam o projeto Sin@is”, completou.
De acordo com o coordenador do Núcleo de Prevenção do MP, Fabio Costa Pereira, o Programa Sinais tem uma atuação com “presença analógica para prevenir problemas do mundo digital” e visa preparar pessoas para que entendam a linguagem que os adolescentes falam. Compreender os sinais que quando aparecem têm resultados “nefastos”. O procurador citou caso de adolescente de Porto Alegre que nas redes sociais falou que tinha desejos de “matar pessoas”.
“Nós do Século XX, não conseguimos explicar isso. Para os jovens não há antagonismo. Há negros ou pardos que são nazistas. A última coisa que os adolescentes querem é que o seu ódio tenha nome. Têm uma visão distorcida da realidade e a violência se torna a forma de expressão deles”, afirmou. Conforme Pereira, em 2024, foram 77 casos. Este ano, já ocorreram 89 casos de violência. Nas cidades pequenas com menos de 50 mil habitantes, foram 37% dos registros. Nos municípios médios, 30%. Nas cidades grandes, 19% e na Capital, 15%.
“As hipóteses são a proximidade comunitária e a ausência de atividade. Em todos os casos, nenhum adolescente usa álcool ou drogas convencionais. Eles estão viciados em dopamina”, frisou Pereira. De acordo com o levantamento do MP, a maior parte dos eventos acontece em escolas municipais. A maioria é praticada por adolescentes e o que chama atenção é a participação das mulheres. Segundo Pereira, em 2024, os casos envolvendo mulheres com mais de 18 anos representava 4,91%.
Em 2025, conforme o MP, 43,48% dos casos foram planejados e executados por mulheres adultas. “Está nos preocupando muito que as mulheres eram mais vítimas ou iscas e neste ano, as mulheres passam a ser tão ou mais violentas que os homens. Esse dado é extremamente impactante. Estamos percebendo o fenômeno, mas as respostas quem tem que dar é a academia (universidades)”.
Subprocuradora-geral de Justiça do MP, Josiane Superti Brasil Camejo detalhou o desenvolvimento do projeto e a necessidade de reforçar as ações preventivas. Conforme Josiane, em 2023, o Ministério Público Estadual atuou juntamente com as forças de segurança do Estado na prevenção do chamado Abril Vermelho, que é o mês marcado por ataques e alertas das instituições.
No entanto, naquele ano o MP percebeu que era importante uma atuação permanente para o enfrentamento desses eventos extremos que começaram a surgir no Brasil. Dessa forma, foi criado, em 2024, o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, como foco inicialmente na prevenção de ataques às escolas do Rio Grande do Sul. “Atualmente foi ampliado para identificar e monitorar adolescentes em situação de risco que possam evoluir para atos de violência extrema”, afirmou.
Conforme Josiane, o Núcleo também tem o objetivo de orientar a comunidade escolar e as famílias, além de capacitar os órgãos públicos como conselheiros tutelares, profissionais de saúde e assistência social. “Este é o caminho para garantir segurança e o bem-estar de toda a sociedade”, avaliou. Dirigente do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca) da Defensoria Pública, Paula Simões Dutra de Oliveira destacou a importância de falar sobre educação digital e uso da telas pelos jovens.
Paula alertou sobre a responsabilidade dos pais, que devem tratar desse tema com jovens e adolescentes. E afirmou que é preciso refletir sobre as causas relacionadas a esses ataques. “Eventos de violência extrema nas escolas despertam em nós uma preocupação gigantesca”, afirmou.
Texto: Claiton Stumpf e Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

