Mais de mil pessoas participaram da entrega da Medalha Preta Roza, realizado no auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, na quarta-feira (23/07). Proposta pela deputada Laura Sito, a honraria integra a programação do Julho das Pretas — mês de mobilização em torno do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, e homenageou 200 mulheres negras de diferentes áreas de atuação em mais de 50 municípios gaúchos.
Uma cerimônia também foi realizada em Pelotas, na Região Sul, na quinta-feira (24/07), no auditório do Direito da UFPel, reconhecendo a atuação de outras 90 mulheres negras. Ao todo, nas duas solenidades, cerca de 1,5 mil pessoas participaram das homenagens. A solenidade em Porto Alegre foi marcada por emoção, discursos potentes, apresentações culturais e o calor da coletividade negra em celebração à resistência, à memória e à justiça. A Medalha Preta Roza celebra trajetórias de mulheres negras que atuam em áreas como cultura, educação, saúde, política, segurança pública e trabalho social.
A homenagem se consolida como marco histórico no estado e reforça a centralidade das mulheres negras na construção de um futuro mais justo e inclusivo. Para a deputada Laura Sito, trata-se de uma reparação simbólica e política, que busca visibilizar e valorizar histórias de resistência, liderança e transformação social frequentemente invisibilizadas. “Essa medalha é para todas as mulheres negras que movem as estruturas a partir de seus territórios”, afirmou Laura Sito.
“Mulheres que cuidam, resistem e constroem alternativas todos os dias, muitas vezes sem nenhum reconhecimento. Ao celebrarmos o Julho das Pretas com este gesto simbólico, reafirmamos o nosso compromisso com uma outra história, onde as mulheres negras não só aparecem, mas lideram, decidem e transformam. É como diz Angela Davis: ‘quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela’. Esse é o futuro que queremos construir”, completou.
O nome da medalha faz referência a Preta Roza, figura histórica do Quilombo de Manoel Padeiro, localizado justamente na região sul do Estado, na década de 1830. Guerreira, estrategista e combatente, Roza é lembrada por ter lutado contra a escravidão e ter circulado entre espaços de poder se disfarçando de homem para coletar informações. Morta em combate em 16 de junho de 1835, tornou-se símbolo da resistência negra e feminina no Sul do país. Ao resgatar essa memória, a medalha busca conectar passado e futuro, celebrando o legado de uma heroína invisibilizada e a luta contemporânea de tantas outras mulheres negras que seguem reconstruindo o RS.
A comenda foi entregue a lideranças negras de Porto Alegre, Quilombos e dos municípios de Alegrete, Alvorada, Antônio Prado, Bagé, Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Canoas, Capão da Canoa, Capivari do Sul, Caxias do Sul, Charqueadas, Eldorado do Sul, Encruzilhada do Sul, Gravataí, Guaíba, Júlio de Castilhos, Imbé, Lajeado, Lavras do Sul, Maquiné, Montenegro, Novo Hamburgo, Palmares do Sul, Palmeira das Missões, Pantano Grande, Poço das Antas, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santana do Livramento, São Leopoldo, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Torres, Tramandaí, Triunfo, Vacaria, Venâncio Aires e Viamão.
Texto: Lucas Boni Maróstica (MTE 17.123)
Foto: Nathália Schneider

