Durante reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, realizada nesta terça-feira (18), o deputado estadual Zé Nunes (PT) denunciou a abordagem violenta da Polícia Civil que resultou na morte do pescador artesanal José Arnaldo Silveira de Carvalho, conhecido como “Careca”, em Santa Vitória do Palmar. A ação, segundo testemunhas, foi marcada por truculência, desproporcionalidade e possível conivência com fazendeiros da região. Zé Nunes, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Pesqueiro, levou à comissão familiares e colegas do pescador, que relataram os abusos sofridos.
O deputado destacou a gravidade do caso e de provável violação de direitos humanos, especialmente no que diz respeito aos pescadores artesanais, cuja integridade e dignidade vêm sendo constantemente violadas nas abordagens policiais. “Estamos recebendo inúmeras denúncias de trabalhadores sendo tratados como criminosos. Isso é inadmissível. Precisamos assegurar os direitos dessa população e responsabilizar quem de fato comete abusos”, afirmou.
O filho da vítima, Pablo Alexandre Duarte de Carvalho, relatou que ele e os pescadores estavam trabalhando quando os policiais chegaram ao local em uma caminhonete sem identificação e agindo com truculência. Atearam fogo no acampamento, apreenderam celulares e atiraram próximo à sua cabeça. Durante a abordagem, seu pai passou mal, mas o socorro foi negligenciado. Segundo Pablo, os agentes ainda o colocaram de forma violenta na traseira da caminhonete. Ao chegar ao hospital, José já estava sem vida. “Meu pai não tinha problemas de saúde. Queremos justiça. Por que destruíram nossa família? Por que nos tratam como criminosos?”, questionou. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z16, Alexandre Ludwig, o clima de medo se instaurou entre os pescadores da região. Ele destacou que a abordagem contou com a presença de fazendeiros e que, frequentemente, as vias públicas de acesso às áreas de pesca são bloqueadas por proprietários de terra, impedindo a atividade tradicional.
Junto ao deputado Zé Nunes, o advogado da família, Marx William Armendaris Cardoso, anunciou que será apresentada denúncia formal à Corregedoria da Polícia Civil, ao Ministério Público e à própria Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. “Dessa vez foi o Seu José. Não sabemos quem pode ser o próximo a ser vítima de ações violentas”, alertou. Zé Nunes colocou o seu mandato à disposição para ajudar a esclarecer os fatos e trazer justiça aos familiares e pescadores.
Presente na comissão, a delegada Ana Luiza Caruso, em nome da Polícia Civil, lamentou o ocorrido e pediu desculpas à família. Afirmou que o episódio não reflete os padrões operacionais da corporação e garantiu que acompanhará pessoalmente as investigações para responsabilizar os envolvidos.

