A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul tratou sobre o caso de violência contra estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) durante a reunião desta quarta-feira (19). Um estudante de direito relatou ter sido agredido pela Brigada Militar em uma festa dos calouros, na noite de 12 de fevereiro. A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa enviou um ofício à Corregedoria Geral da Brigada Militar (BM), solicitando providências urgentes sobre o caso.
De acordo com a ocorrência policial, os estudantes foram autuados por desacato, desobediência e resistência. No entanto, segundo um dos estudantes, presente na reunião (a identidade está sendo preservada) os policiais empregaram “violência exagerada, descabida e completamente desproporcional”. Conforme o estudante, ele teria sido algemado e imobilizado. “Estava com muita dor nos olhos e nas costas e me sentindo humilhado, mas os policiais alegam que eu estava intimidando e agredindo, mas como eu ia agredir alguém se estava algemado e deitado no chão?”, argumentou. “Eu não sou inimigo da polícia. Quem é inimigo é quem faz discurso de que é amigo, mas não quer aumentar salários dos policiais”, completou.
O deputado Adão Pretto Filho relatou que já encaminhou ofício ao corregedor geral da Brigada Militar, pedindo esclarecimento sobre essa denúncia e já solicitou audiência com o secretário de Segurança Pública. “Pedimos providência com relação aos agentes. Na minha opinião falta formação a estes policiais e acompanhamento. Solicitamos investigação imediata sobre os casos de violência policial no evento da ‘Calourada 2025’ da UFSM, prestação de apoio psicológico às vítimas e às famílias visando recuperação e amparo necessário e implementação de programa de treinamento contínuo para os agentes de segurança público com ênfase em Direitos Humanos, técnicas e abordagens não violentas e uso proporcional de forças”, relatou.
A deputada Sofia Cavedon afirmou que as vítimas precisam de apoio e de Justiça. “Infelizmente tá sendo uma regra geral essa atuação violenta da Brigada Militar e isso é reflexo da gestão, ordens do governador. A tolerância é zero nas festas de estudantes. O governador pode dançar, tocar pandeiro, sempre na boa proteção. Aqui na cidade baixa o que aconteceu no Carnaval foi escandaloso”.
Cidadão santa-mariense, deputado Valdeci Oliveira (PT), defendeu a criação de um movimento para cobrar justiça. “Levaram estudantes no camburão de forma brutal. É preciso buscar justiça e dar apoio às vítimas. Temos que buscar os envolvidos, os que agrediram, mas a agressão tem orientação então tem que ir em cima do comando, tem que cobrar do governador”.
Texto: Claiton Stumpf – MTb 9747
Foto: Kelly Demo Christ