A 23ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, realizada nesta sexta-feira (20) em Nova Santa Rita, reuniu cerca de 2 mil pessoas no Assentamento Capela, em um dos mais tradicionais eventos da produção sustentável no Rio Grande do Sul. Com o tema “Agroecologia é o Caminho”, a atividade organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reforçou o papel da agricultura familiar e da produção limpa no estado — e também serviu como palco para a cobrança por avanços concretos na reforma agrária.
Durante as falas das autoridades, o deputado Adão Pretto Filho destacou a necessidade urgente de ações coordenadas entre os governos federal e estadual para garantir o assentamento de famílias que seguem à espera de terra para produzir. Segundo ele, a situação é ainda mais crítica após as enchentes que atingiram o Estado. “Hoje temos mais de mil famílias acampadas no RS aguardando um pedaço de terra para trabalhar, produzir alimento e reconstruir suas vidas. É preciso que os governos avancem com mais agilidade na reforma agrária, garantindo dignidade para quem quer trabalhar e contribuir com o desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou.
O parlamentar também ressaltou que está na linha de frente das articulações junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e ao governo do Estado para viabilizar novas áreas de reassentamento. Já foram sinalizadas possibilidades concretas nos municípios de Santana do Livramento, São Borja e Triunfo, o que pode representar um avanço importante, especialmente para famílias atingidas pelas enchentes de 2024. A festa deste ano teve como anfitriã a Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita, referência nacional na produção agroecológica.
Desde 1994, a cooperativa aposta na organização coletiva para industrializar produtos como arroz, leite, suínos e panificados, demonstrando na prática a viabilidade econômica de um modelo baseado na sustentabilidade e na cooperação. Adão Pretto Filho também reforçou a defesa da agroecologia como caminho para o futuro da produção agrícola. Autor da lei que institui a política estadual de fomento à agricultura regenerativa, biológica e sustentável, o deputado tem atuado para ampliar o uso de bioinsumos como alternativa aos agrotóxicos.
“Os bioinsumos representam o futuro da agricultura. São uma alternativa sustentável, limpa e eficiente, que garante produção em escala sem agredir o meio ambiente e sem comprometer a saúde de quem produz e de quem consome. O Rio Grande do Sul pode ser referência nesse modelo”, destacou. O arroz agroecológico produzido pelas cooperativas ligadas ao MST já é reconhecido como o maior da América Latina nesse modelo, abastecendo programas públicos, como o PAA, da Conab. A previsão é que a atual safra atinja a marca de 14 mil toneladas de arroz, a partir de 10 assentamentos no Estado.
Texto: Guilherme Zanini
Foto: Paulo Roberto Silva

