quinta-feira, 19 março

Se fosse um filme, a maioria da história das privatizações no Brasil – e por tabela no RS – seria classificada como drama – ou terror, em alguns casos. Já os discursos em defesa dos processos, sempre apresentados como necessários para uma melhora dos serviços e substituição da “incompetência” do estado, certamente ficariam na categoria comédia – e das mal feitas. E isso não começou hoje e muito provavelmente se repetirá no futuro, pois a sanha de abocanhar nacos do que é público e lucrativo parece não ter fim para aqueles que defendem que o estado deve ser mínimo. A questão é saber para quem.

A entrega da Corsan para a iniciativa privada – cujo nome é Aegea – tem se mostrado um exemplo puro e acabado da tese acima. A da CEEE e as estradas vão na mesma linha, haja visto a nossa RSC-287.
A Corsan virou bagunça, com reclamações surgindo em todo o canto, todos os dias, seja na forma de tubulações com baixa pressão, água com coloração escura e abastecimento precário, ou em cobranças absurdas ou indevidas. A CPI feita na Câmara de Vereadores de Santa Maria mostrou isso e muito mais.

Um exemplo do absurdo vem de Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari. O município está entre as localidades mais devastadas pela enchente de 2024, mas mesmo assim os moradores, mesmo perdendo suas casas e tudo o que possuíam, estão recebendo contas de água e avisos de atrasos.

Outra situação “inusitada” diz respeito à rede hoteleira, que além da cobrança normal tem de pagar uma segunda tarifa por cada quarto ofertado, estando ou não ocupado. Mas o rosário é grande. A sociedade gaúcha desconhece o plano de investimentos detalhado da Aegea para cumprir a meta estabelecida em Lei de atingir 90% da cobertura de esgoto no RS.

Consumidores sem atendimento por conta de escritórios da empresa fechados tem sido outra constante, além de cortes na Tarifa Social, essencial às famílias de baixa renda. Talvez a cereja do bolo seja a perfuração de poços profundos para captação de água subterrânea pela empresa – o que poderá causar um desequilíbrio hídrico no futuro, quando terminar a concessão de 30 anos – e a inoperância da agência reguladora, a Agergs, responsável pela fiscalização de todos os serviços públicos concedidos no estado.

Nosso mandato se soma aos demais que estão na luta, junto com a sociedade civil organizada, por respostas da Agergs e soluções imediatas da Aegea/Corsan para os diversos problemas relacionados à água dos gaúchos e gaúchas.

Água é vida. E a vida merece cuidado acima do lucro.

Deputado Valdeci Oliveira, ex-presidente da Assembleia L egislativa do Rio Grande do Sul
Foto: Greice Nichele
Artigo publicado originalmente no Diário de Santa Maria em 19 de março de 2026

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