segunda-feira, 16 março

 

 

O seminário Diálogos pela Transição Energética Justa, promovido na tarde desta segunda-feira (16/03) pelo Gabinete do deputado estadual Pepe Vargas, reuniu especialistas, parlamentares e representantes de entidades sindicais para discutir soluções sustentáveis e inclusivas na implementação da transição energética no Rio Grande do Sul. O evento, realizado no espaço de Convergência da Assembleia Legislativa, abordou temas estratégicos como biorefino, bioenergia, agricultura familiar e políticas públicas de transição energética, reforçando o papel do RS como polo de inovação e produção sustentável.
Ao longo de 2025, como presidente da Assembleia, Pepe Vargas conduziu o debate do Pacto RS: Crescimento Sustentável por meio do Fórum Regional Democrático, buscando alinhar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e justiça social no estado. A iniciativa contou com nove seminários presenciais, reunindo 3.700 representantes da sociedade civil, além de 12 mil participantes pela plataforma digital. Na ocasião, foram apresentadas 215 propostas, que receberam 16.192 votos da população.
Durante a abertura do seminário, Pepe destacou o contexto histórico e econômico do Rio Grande do Sul. “O estado já foi responsável por 9,4% do PIB brasileiro na década de 1940, caiu para cerca de 7% no início dos anos 2000 e atualmente representa em torno de 6%”, explicou. “Estamos diante de um cenário de baixo crescimento e crise climática. Nossa região terá chuvas mais intensas e ventos mais fortes. É preciso que o desenvolvimento econômico esteja alinhado à sustentabilidade e à geração de emprego e renda.”
O deputado também ressaltou que o RS captou cerca de 15% dos recursos de pesquisa da Finep em 2023 e 2024, reforçando o potencial do estado na bioenergia. “Temos enormes potencialidades. O Rio Grande do Sul já é um grande produtor de biocombustíveis, mas há novas possibilidades que podem conjugar a resposta aos desafios ambientais com um novo ciclo de desenvolvimento econômico que produza combustíveis renováveis e sustentáveis, agregue valor à economia gaúcha e gere oportunidades de industrialização”, afirmou.
Para Miriam Cabreira, presidenta do Sindipetro RS, a agenda da transição energética é também uma agenda de soberania. “O Sindipetro RS e a FUP estão construindo essa agenda para que, por meio de políticas públicas e da atuação da Petrobras, seja possível desenvolver a transição energética de forma justa, soberana e popular”, disse.
O pesquisador Jorge Lemainski, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo – Passo Fundo/RS, apresentou o conceito de alto manejo agrícola, que integra solo, planta e clima para aumentar a produtividade de forma sustentável. “O solo é o motor do sistema agrícola, responsável por processos como ciclagem de nutrientes, infiltração de água, atividade biológica e estruturação física”, destacou Lemainski.
Ele também abordou a produção de carinata, oleaginosa cultivada no RS como cultura de inverno, usada para biocombustível sustentável de aviação (SAF), rotação de culturas e produção de proteína animal. “Nosso objetivo é converter luz solar em alimento, fibra e energia durante 365 dias do ano.” O cultivo de carinata vem crescendo rapidamente, passando de 5 mil hectares em 2024 para cerca de 10 mil hectares em 2025, concentrados nas regiões das Missões, Noroeste e Campanha Gaúcha.
O representante do Departamento de Inovação para Produção Familiar e Transição Agroecológica do MDA, Semar Bonavigo, apresentou o Selo Biocombustível Social, iniciativa que integra agricultores familiares à cadeia produtiva de biodiesel. O selo oferece benefícios fiscais, prioridade em leilões públicos, acesso a mercados, assistência técnica e capacitação.
O gerente de projetos de Biorefino da Petrobras, Gerson Souza, destacou os projetos do Programa BioRefino, voltados à transformação de refinarias para produzir combustíveis de baixo carbono, como diesel renovável, bioquerosene de aviação (SAF) e biobunker para navios. Entre os projetos citados estão:Diesel R: diesel com 5% a 10% de conteúdo renovável; SAF: bioquerosene de aviação com unidades previstas na Refinaria Presidente Bernardes HVO: diesel 100% renovável; coprocessamento com biomassa e resíduos agrícolas; Biorrefinaria em refinaria existente, incluindo estudo para a Refinaria Riograndense, no RS.
A coordenadora técnica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais e Econômicas (INEEP), Ticiana Álvares, ressaltou que a transição energética deve ser justa, inclusiva e adaptada à realidade brasileira, respeitando desigualdades sociais, de gênero e de raça. “Não podemos simplesmente aplicar modelos internacionais. É preciso desenvolver cadeias produtivas locais, agregar valor industrial e garantir que a expansão dos biocombustíveis respeite o solo e a biodiversidade”, afirmou.
O debate enfatizou a necessidade de planejar a expansão agrícola e energética de forma a evitar impactos sobre biomas e serviços ecossistêmicos, aproveitando áreas degradadas ou já agrícolas sempre que possível.

 

Texto: Silvana Gonçalves

Fotos: Letícia Solano

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