quinta-feira, 03 abril

 

Durante audiência pública realizada na Assembleia, na manhã desta quinta-feira (3), especialistas, vitivinicultores e representantes do poder público se reuniram para discutir os impactos do herbicida hormonal 2,4-D nas lavouras do estado. O debate ganhou destaque especialmente no setor da vitivinicultura, que tem sido afetado pelos danos causados pelo agrotóxico. 

O deputado Adão Pretto Filho foi um dos parlamentares que se demonstrou contrário ao uso do agrotóxico. Ele criticou o uso do herbicida, lembrando que o 2,4-D foi utilizado durante a Guerra do Vietnã, conhecido como “Agente Laranja”, sendo um composto altamente controverso. “Não podemos deixar que um herbicida utilizado na guerra do Vietnã como arma química seja usado em nossas lavouras”, sustentou o deputado, ressaltando os potenciais prejuízos à saúde humana, ao meio ambiente e à produção agrícola do estado.

Um relatório da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS aponta que, entre os anos de 2018 e 2021, 315 propriedades foram atingidas por herbicidas hormonais em razão da deriva, que são os resíduos do veneno levados pelo vento e que acabam se espalhando por áreas distantes da plantação. Os estudos indicam que o uso de 2,4-D contribui com a mortandade de peixes e aves, além impactar a vida humana, contribuindo para o aumento de casos de câncer, desregulação hormonal e doença de Parkinson.

Adão Pretto destaca que hoje há alternativas viáveis ao uso de agrotóxicos convencionais, como os bioinsumos, que vêm ganhando cada vez mais destaque como soluções sustentáveis e eficazes na produção agrícola. Pretto é autor da Lei de Política Estadual de Fomento à Agricultura Regenerativa, Biológica e Sustentável, que visa incentivar a utilização desses produtos, promovendo práticas agrícolas mais saudáveis e respeitosas ao meio ambiente. “Não podemos permitir que para benefícios de poucos, a população fique sujeita ao efeito nocivo de substâncias danosas à saúde. A emergência climática na qual vivemos não é obra do acaso, mas sim resultado da relação ação humana. Precisamos com urgência migrar para a transição agroecológica, sem precisar de agrotóxicos em nossas plantações”, concluiu o deputado.

 

Texto: Guilherme Zanini 

Foto: Kelly Demo Christ

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