quinta-feira, 03 abril

A Frente Parlamentar da Microeletrônica reuniu, nesta quinta-feira (27), especialistas para discutir os desafios da política industrial no país e a importância de uma agenda de desenvolvimento para o setor. Coordenada pelo deputado Miguel Rossetto, a conferência Nova Indústria Brasil: Desenvolvimento com Participação Social, realizada na Assembleia Legislativa, destacou a retomada do segmento a partir das políticas públicas implementadas pelo governo Lula.

Para Rossetto, a indústria é fundamental para impulsionar o desenvolvimento econômico e atender às necessidades da população. “Isso significa ampliarmos a capacidade de produção na área da saúde, da mobilidade urbana, na área da segurança alimentar, na área da infraestrutura urbana no nosso pais. Ou seja, um conjunto de iniciativas que concentram os esforços do estado brasileiro para o nosso desenvolvimento e enfrentam as necessidades do povo brasileiro”, afirma.

O deputado explica que o grande desafio é pensar esta estratégia nacional articulada com a estratégia do estado do RS. “O RS, que é a quarta potência produtiva industrial do Brasil, infelizmente não tem uma agenda industrial estadual potente, um conselho estadual de desenvolvimento industrial, ou a capacidade do governo de articular os recursos estaduais para uma política ativa para o desenvolvimento industrial do RS”, critica. A diretora de Indicadores e Governança do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Verena Hitner Barros, afirma que é importante discutir com a sociedade como gerar mais empregos.

“Significa discutir com a sociedade como que a gente consegue consumir melhor o tempo das pessoas, como a gente consegue garantir bem-estar na vida de todos”, compara. Conforme Verena, desde 2010 muitos países passaram por processos de desindustrialização, mas alguns enfrentaram melhor esse desafio. “A diferença dos países do Norte é que a desindustrialização veio acompanhada de melhoria da qualidade de vida. E para nós a desindustrialização veio acompanhada de uma piora da qualidade de vida das pessoas. Isso é um fato muito relevante”, alerta.

A especialista reforça que é necessário pensar um processo de construção de um a política industrial. “Não é apenas considerar a indústria pela indústria, mas significa olhar para todo um processo de desenvolvimento do país. E foi assim que a nova indústria foi desenhada, foi pensada, por isso se chama política de desenvolvimento industrial”, completa. Representantes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI e da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTM-RS) e da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) também participaram do seminário.

Diretor da Fiergs, Herane Cauduro afirma que o pais acordou para um processo de reindustrialização. Além de avaliar que a indústria “é o motor de desenvolvimento” e gera empregos de qualidade, ele ressalta que a consolidação de uma política industrial exige tempo. Não existe pais desenvolvido sem indústria forte”, observa. Ao avaliar a situação atual do Rio Grande do Sul, Cauduro destaca que existe uma diversificação das cadeias produtivas, mas explica que indústria da transformação perdeu espaço por falta de competitividade.

“A nova indústria do Brasil traz um novo cenário”, sustenta. O presidente da FTM-RS, Lírio Segalla, afirma que é importante investir em tecnologia. “Isso ajuda a recuperar a indústria com em pregos decentes e de qualidade, salienta, destacando a necessidade de aliar essas ações à preservação ambiental. O seminário também contou com a participação do ex-deputado estadual Adão Villaverde, que é professor de Gestão do Conhecimento e Inovação da PUCRS, e do professor Jorge Audy, que é superintendente de Desenvolvimento e Inovação da PUCRS.

Texto: Felipe Samuel
Foto: Camille Bolson

Compartilhe
preload imagepreload image