Depois de dois anos, o município de Viamão voltou a sediar a Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, nesta quinta-feira (20). A data escolhida coincide com o Dia Mundial da Agricultura e foi celebrada com 3 mil pessoas que prestigiaram a festa no Assentamento Filhos de Sepé. A safra de arroz agroecológico 2024/2025 está estimada em 14 mil toneladas, que equivalem a um volume de aproximadamente 300 mil sacas do grão.
O diferencial do arroz agroecológico está na utilização de bioinsumos ao invés de fertilizantes químicos. Como resultado, o grão orgânico obtém mais qualidade e menos riscos para os consumidores, por não conter agrotóxicos durante o plantio. Dentre as autoridades que prestigiaram a festa, esteve o deputado Adão Pretto Filho (PT-RS), autor da lei que institui a Política Estadual de Fomento à Agricultura Regenerativa, Biológica e Sustentável do Rio Grande do Sul. De acordo com o parlamentar, a proposta é que o governo ofereça subsídios para uma agricultura mais limpa, livre de agrotóxicos.
“A cada dia, recebemos mais relatos de famílias do campo que são afetadas pelo uso abusivo de veneno nas lavouras. A nossa proposta é que os bancos públicos tenham linhas de crédito diferenciadas para que os produtores e cooperativas possam financiar biofábricas dentro das propriedades. Isso dá mais autonomia ao agricultor e permite aumento de produção, além de tornar o solo mais resiliente a eventos climáticos, como a estiagem e enchentes”, afirma, acrescentando que o caminho para a agricultura passa pelo fortalecimento da agroecologia.
Visão semelhante tem o líder do MST, João Pedro Stedile, que destacou a produção de arroz agroecológico do Movimento. Ele também aproveitou para cobrar do governo Federal por mais investimento em reforma agrária. Stedile ainda destacou que é necessário importar tecnologia da China para equipar com maquinários os assentamentos.
“Essa bela experiência serve para provar para o agronegócio que só a agroecologia salva a natureza e produz alimento de verdade. Precisamos massificar a agroecologia, sementes, biofertilizantes e máquinas agrícolas adequadas com as necessidades”, disse.
A dirigente do MST, Lara Rodrigues, salientou a resiliência dos assentados da reforma agrária após a enchente de 2024. “Quando falamos de reforma agrária popular para o Brasil alimentar, não estamos falando apenas de alimentos. Nós estamos implementando um projeto de país. Para isso acontecer, precisamos que o governo Federal seja nosso parceiro. Nós produzimos alimentos, produzimos cultura e produzimos seres humanos melhores”, afirma.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, afirmou que os armazéns da companhia estão sendo reestruturados e que haverá compra do governo Federal do arroz agroecológico produzido pelo MST. Ele parabenizou os produtores de arroz orgânico do Rio Grande do Sul pela postura de coragem após as enchentes.
“Se estamos aqui, menos de um ano depois da enchente que levou 30% dos estoques de arroz dos assentamentos, e celebramos a maior colheita de arroz orgânico que ja tivemos, é graças à força dos assentados, mas é também pela relação que vocês têm com a terra, devolvendo para ela toda a generosidade que ela merece”, finalizou.
Texto: Guilherme Zanini
Foto: Paulo Roberto Silva