quinta-feira, 03 abril

 

 

 

A falta de ação efetiva e a postura tímida do governo do estado e da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) diante do forte calor pelo qual tem passado o RS nos últimos dias, com a respectiva consequência sobre os estudantes, levaram o deputado estadual Valdeci Oliveira a cobrar providências para garantir a saúde e o bem-estar dos alunos da rede estadual de ensino. A manifestação foi feita nesta quarta-feira, 26, durante a sessão ordinária da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (CSMA) da Assembleia Legislativa, colegiado onde o parlamentar é membro efetivo.

Valdeci usou como exemplo o caso ocorrido na cidade de Santa Maria, na Região Central, onde vários alunos passaram mal durante a semana por conta do calor, tendo alguns, inclusive, precisando de atendimento médico e sendo encaminhados para a UPA do município. Com temperaturas elevadas e sensação térmica ultrapassando os 40°C, Valdeci lembrou que muitas escolas espalhadas por diferentes regiões gaúchas não possuem condições adequadas para enfrentar o problema. “São locais sem ar-condicionado, muitas sequer possuem ventilador e outras tantas, inclusive, com rede elétrica sem capacidade para suportar tais equipamentos”, explicou. “Além de oferecer uma solução, o estado precisa ampliar o diálogo com os setores da comunidade escolar e demais autoridades. O que não se pode é deixar que as nossas crianças e jovens corram riscos e tenham a sua saúde ameaçada. Estamos vivendo uma situação crítica, completamente fora do normal”, completou.

Mesmo diante dos alertas meteorológicos que apontam para situações críticas nos próximos dias, o governo do Estado, que já havia negado adiar o início do ano letivo mesmo diante dos inúmeros apelos feitos por professores, estudantes e familiares, novamente anunciou que as aulas não serão suspensas. “O que há por parte da Secretaria Estadual de Educação é uma falta de sensibilidade e de empatia. Diante de situações com calor extremo como temos tido, não há condições de manter as aulas onde não há aparelhos de ar-condicionado ou ventiladores. Não se trabalha a Educação apenas dando aula, mas em todas as situações e aspectos que a envolvem, principalmente oferecendo escola de qualidade, equipada e adequada, seja para o inverno ou verão”, sentenciou Valdeci.

Estudos elaborados por neurocientistas demonstram que, em casos ou situações de calor extremo, algo a partir de 38°C, o cérebro humano compensa o problema tirando energia do que ele considera, naquele momento, como algo supérfluo, no caso a concentração e o raciocínio. Ao fazer isso, o foco do órgão do sistema nervoso central passa a ser aliviar o desconforto causado pela alta temperatura. “Se considerarmos essa situação numa sala de aula, fica claro que o ensino como um todo e a aprendizagem em particular ficam comprometidos”, pontua Valdeci.

 
Texto: Tiago Machado – MTE 9.415 Marcelo Antunes – MTE 8.511 
Foto: Marcelo Oliveira/ALRS
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